segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Mais espera... Mais sofrimento

Greve na saúde tira o mínimo da dignidade no atendimento médico para quem precisa. O tempo pode fazer toda diferença entre a vida e a morte, e é por isso que ela, antes de ser colocada em prática nos hospitais, precisa ser pensada com muito carinho. Se tratam de vidas e não de mercadorias...

As mais de cinco décadas acumuladas de experiência no ensino e na pesquisa fazem da Faculdade de ciências Médicas de Minas Gerais uma das mais respeitadas do país. Lá são ministrados cursos de Administração com Linha de Formação em Saúde, Enfermagem, Fisioterapia, Psicologia, Terapia Ocupacional, além é claro do mais concorrido curso de Medicina. Mas todo seu merecimento e conquistas não bastam para fazer com que ela cumpra um de seus papeis primordiais de assistência à comunidade carente, com sucesso. É que a instituição vem sofrendo muito com as greves, deficiências administrativas, etc.. O SINDIFES " Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino " IFES anunciou essa semana que vai aderir à greve nacional dos servidores técnico-administrativos do Hospital das Clínicas da UFMG. Isso trará com certeza um caos para a população carente que não tem como procurar outro tipo de atendimento. Quando seus funcionários usam do direito, a eles constituídos, o direito de greve, e deixam de desempenhar suas atividades sem cumprir escalas de trabalho, principalmente os ligados à área médica, trazem prejuízos lastimáveis para todos aqueles que só podem contar com a esperança de vida no atendimento gratuito dessa instituição. É primordial que uma negociação seja feita entre a diretoria do hospital, o Governo Federal e seus servidores, e alcance uma solução no período legal de regulamentação de greve do Serviço Público Federal, para que não haja prejuízos maiores. Por lei, todo profissional só pode abandonar seu posto e fazer a paralisação depois de 72 horas do comunicado à instituição. A falta de atendimento pode se tornar um grande pesadelo para os pacientes e suas famílias. Muitos não conseguem esperar pelas resoluções das negociações e acabam perdendo a vida. Esse é realmente um dilema que não pode ficar para depois, é urgente, Imprescindível que o alto comando se manifeste e resolva o problema junto aos funcionários para proteger vidas inocentes e necessitadas de atendimento.
Dona Ilza Barbosa descreve o drama sofrido pela sua família em 2010, quando seu genro, Lobeline Sady, com apenas 43 anos, passou mal no trabalho e precisou de atendimento emergencial. A senhora relata que ele foi encaminhado para a Santa Casa de Misericórdia de BH, e lá ficou internado por vários dias, num enorme sofrimento, somente no soro, sem fazer sequer um exame. Não havia nem remédio para dor. "É porque na época acontecia uma greve no setor, nenhuma providencia era tomada", avalia. Depois de mais ou menos dez dias seu genro recebeu alta e foi levado para casa ainda muito doente. Cinco dias depois ele sentiu uma forte dor abdominal e pediu que o levassem para o Hospital das Clínicas, porque um amigo havia lhe falado que lá ele teria atendimento digno, faria todo tipo de exames necessários com aparelhos de alta definição, coisa inalcançável para o rapaz que, como a maioria da população brasileira, não tinha plano de saúde e só contava com o serviço público. Dito e certo. Lá acompanhado por amigos e a esposa, por sorte, conseguiu logo atendimento depois que uma senhora idosa faleceu deixando uma vaga no CTI. Dona Ilza conta que ele se encheu de esperanças quando conseguiu lá se internar, mas era tarde demais para ele. Foi diagnosticada uma pancreatite, seu pâncreas estava 70% necrosado. Os médicos o transferiram para uma UTI, onde fizeram várias intervenções cirúrgicas durante mais de quatro meses. "Tarde demais... Se o Lobeline tivesse tido esse atendimento quando fora internado na Santa Casa, hoje estaria vivo", reflete a chorosa senhora.
Se com todo o corpo de funcionários o atendimento já não é das melhores, imaginem se eles pararem...

NandaDiCássia



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